TRE-RJ barra candidatura de mulher de traficante do CV e neto de bicheiro

Mariana de Souza (PP) teve a candidatura impugnada pelo TRE-RJ Reprodução Dois candidatos tiveram os registros de candidatura indeferidos pelo Tribunal Region...

TRE-RJ barra candidatura de mulher de traficante do CV e neto de bicheiro
TRE-RJ barra candidatura de mulher de traficante do CV e neto de bicheiro (Foto: Reprodução)

Mariana de Souza (PP) teve a candidatura impugnada pelo TRE-RJ Reprodução Dois candidatos tiveram os registros de candidatura indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) nesta sexta-feira (11) por suspeitas de vínculos com o crime organizado: Mariana de Souza (PP) e João Drumond (PRD). Os dois podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os desembargadores barraram, por unanimidade, a candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados. Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), ela é mulher de Wilson Marques de Albuquerque, o Zé Dirceu ou Alex, apontado como traficante do Comando Vermelho (CV) e foragido da Justiça. De acordo com o MPE, Mariana teria recebido doações para a campanha de pessoas e empresas ligadas à organização criminosa. “Mais uma vez o tribunal está dando uma resposta ao crime organizado”, afirmou o presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, durante o julgamento. O g1 tenta contato com a defesa de Mariana de Souza. Agora no g1 Por 5 a 2, o Tribunal também indeferiu o registro de candidatura de João Felipe Drumond Espíndola (PRD), candidato a deputado estadual. O jovem de 24 anos é neto de Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond, um dos principais nomes da antiga cúpula do jogo do bicho no Rio, morto em 2020. Ao pedir a impugnação da candidatura, o Ministério Público Eleitoral afirmou que o caso não se restringia aos laços familiares de João Drumond. O MPE apontou o vínculo do candidato com a Imperatriz Leopoldinense, escola de samba historicamente ligada à família Drumond. João é vice-presidente da escola e já exerceu a direção financeira da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Segundo o órgão, ele teria utilizado a estrutura da Imperatriz e projetos sociais para ampliar sua projeção política e territorial na Zona Norte do Rio. Mas para a desembargadora eleitoral e relatora do caso, Thatiana de Carvalho Costa, não foram identificados atos de submissão, financiamento, cessão de estrutura ou coordenação entre a atuação institucional de João e uma organização criminosa. “Da posição institucional em entidades do carnaval carioca, presidir o Instituto Imperatriz Leopoldinense, exercer direção financeira da Liesa e ocupar a vice-presidência da escola de samba são atividades lícitas de natureza cultural e associativa exercida por dezenas de dirigentes ao longo de décadas sem qualquer conotação criminosa”, afirmou. A Procuradoria também citou a aproximação política entre João Drumond e Mariana de Souza. Os dois aparecem juntos em publicações de agendas realizadas no Complexo da Penha, área com presença do Comando Vermelho. Para o MPE, o conjunto desses elementos indicaria que a candidatura de João não estaria desvinculada de uma estrutura familiar que, segundo investigações, mantém há décadas influência no samba e ligação com a contravenção. O advogado de João, Eduardo Damian, nega qualquer relação de seu cliente com organizações criminosas. “A senhora Mariana, que foi dito que estava com uma foto com o João Drumond, ela estava com outros quatro parlamentares de mandato nesse mesmo evento. O deputado Luizinho, a delegada Martha Rocha e outros. Ela estava inaugurando um centro comunitário dentro de uma comunidade carente. O João é um jovem de 24 anos que não tem nada a ver com organizações criminosas”, defendeu Damian. A Justiça Eleitoral levou em consideração ainda o fato de ter sido identificado pelo Ministério Público Federal que Jomar Duarte Bittencourt Júnior, o Jomarzinho, coordenaria a campanha de João em grupos de mensagens. Jomarzinho, filho de delegado da Polícia Federal, foi acusado de vazar informações, em 2019, sobre as investigações das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. “Jomarzinho é um indivíduo com histórico de investigação com vazamento de operações policiais. Há registros da agenda da pré-campanha de João Drumond no telefone de Jomarzinho em 2026. Um operador de vazamentos de fraudes ligados à cúpula contravenção não traduz mero convite social ou interesse unilateral de terceiros. Representa o instrumento continuado de gestão e divisão territorial de trabalho eleitoral e convocação funcional”, afirmou o presidente do TRE, Cláudio de Mello Tavares.